A trajetória da escritora aguaiana Arlene Padrão, no mundo da literatura
- 11 de nov. de 2019
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A paixão pela história de Aguaí e pela vida são as principais inspirações da escritora
A leitura é algo que transforma as pessoas. Livros, revistas, artigos, embalagens de alimentos, bula de remédio, receitas de bolo e até o jornal que já serviu de papel de embrulho de carne e de frutas frescas, podem despertar o gosto pela leitura. E foi exatamente o que aconteceu com Arlene Maria Eloi Padrão, uma mulher de origem rural, que foi alfabetizada aos seis anos e desde então nunca mais deixou uma só palavra passar despercebida.
Arlene viveu parte de sua infância em um sítio, na zona rural de Mogi Guaçu, mas ainda criança se mudou para Aguaí, onde, com curiosidade aguçada, terminou os estudos primários na escola aguaiana Egle Luporini Costa. Foi aluna da primeira turma de magistério dessa escola e no terceiro ano passou no concurso público do centro de saúde de Aguaí. Após alguns anos trabalhando na Saúde, pediu exoneração do cargo migrou para o Direito, sua área de formação no ensino superior.
Seus textos, que já haviam se destacado em sua vida acadêmica, começavam então a ganhar visibilidade em forma de reportagens para o jornal local “O Imparcial”. Arlene também foi repórter de “A Gazeta de Aguaí” e a partir de então sua paixão pela escrita e história de Aguaí se uniriam para sempre.
Arlene Padrão é mãe de três filhos e avó de seis, escritora, jornalista e advogada. Também trabalhou por muito tempo como professora, já teve restaurante e possui outras habilidades, entre elas, com eletricidade. “Mudei para o sítio, virei dona e cozinheira de restaurante, eu acho que tive todas as profissões que tem no alfabeto”, conta.
O início na literatura
Ao completar 60 anos, Arlene decidiu escrever um livro. Com os anos dedicados ao jornalismo, que deu a ela vasto conhecimento sobre a história da cidade, a escritora e jornalista deciciu fazer um compilado de suas reportagens e acrescentou outros fatos sobre a pacata, porém curiosa, Aguaí. Assim surgiu o livro “O Trem do Tempo”.
As principais fontes de informação da escritora, além dos livros, foram os conhecimentos adquiridos durante sua juventude. Ela conta que teve a sorte de conviver com pessoas importantes. “Eu pesquiso livros antigos, sempre gostei muito de história, gosto de ouvir pessoas, já ouvi muitas histórias... Quando resolvi fazer O Trem do Tempo, resolvi escrever um pouco das histórias que eu ouvi, que são histórias verdadeiras, não é ficção”, destacou.
Obras Literárias
“O Trem do Tempo” é uma leitura harmônica que conduz o leitor a enxergar a cidade de outra maneira, para além dos fatos históricos, ao despertar memórias afetivas.
Sua segunda obra teve um outro foco. Com o livro “Saci cor-de-rosa”, Arlene embarcou na literatura infantil, produzindo uma história contrária à obra original, que leva a criança a refletir sobre bullying, contando a história de um garoto de uma perna só e que tinha a pele clara.
Para a escritora, há dificuldades em escrever para o público infantil "primeiro com a linguagem depois com a mensagem, tem que escrever de um jeito que a criança entenda. Eu fiz um painel e levo para as creches e escolas, contando essas histórias e as crianças adoram”.
“Um rabisco no céu” é outra história voltada ao público infantil, em que a autora fala sobre um assunto difícil e pouco conversado com os pequenos, o falecimento de uma pessoa querida. A história fala sobre uma avó maluquinha que dá conselhos de vida aos netos até chegar no assunto morte da morte: “nesse livro tem muito de mim e da minha mãe” revelou a autora.
A obra “Cabeça de Lua” é sua última publicação e tem um sentido especial na vida de Arlene. O livro foi produzido após a autora enfrentar um linfoma gastrointestinal. O livro traz a história de uma jovem que descobriu que tinha leucemia e para diminuir o peso de conviver com a doença, ela viaja para o mundo da fantasia, onde fadas acompanham a vida das crianças que sofrem com o câncer. O livro fala de maneira lúdica de todas as fases da doença, das vitórias e também das lutas perdidas.
Mundo da literatura
Arlene Padrão não parou por aí, a autora tem outras publicações no forno. Entre elas, há produções para o público infantil com histórias baseadas em curiosidades de Aguaí contadas de forma divertida.
A autora conta que a dificuldade de publicar é a falta de investimento nos autores locais e o alto custo para a produção, além da ausência de livrarias em Aguaí. Das obras já publicadas, algumas tiveram patrocínios e outras saíram do próprio bolso. Arlene conta que sua literatura não é comercial, “é o meu bem material que eu construí, é a minha contribuição para a cultura, para a arte e também pra essa cidade que eu gosto tanto”, destacou.
Os exemplares de "O Trem do Tempo" e os infantis "Cabeça de Lua", "Um rabisco no céu" e "Saci cor-de-rosa" são comercializados com valor acessível pela própria autora. Interessados em conhecer as obras devem entrar em contato com ela pelo facebook Arlene Padrão.

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